sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


A felicidade materializada


Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com

O grande filósofo grego Epicuro, defende na obra Carta sobre a felicidade, que o prazer é o inicio e o fim de uma vida feliz. No entanto, também alertava para a necessidade do cuidado com a busca indiscriminada pelo prazer, pois isso, ao invés de trazer satisfação, teria o efeito contrário, ou seja, resultaria em dor e sofrimento.
Já no século XVIII, os filósofos do iluminismo francês defendem a ideia da felicidade enquanto o objetivo supremo de cada individuo. Para tanto, esse ideal deve ser alcançado por meio da conquista da liberdade, necessária tanto para o desenvolvimento das capacidades físicas e intelectuais do individuo quanto para sua atuação na vida política.
Na nossa sociedade contemporânea, o conceito de felicidade mudou radicalmente. Na verdade, nos dias de hoje, a felicidade está associada ao progresso pessoal, profissional e, sobretudo material. De fato, defende-se que esse progresso seria necessário para a conquista do prazer, da satisfação e a realização do individuo.
A questão que se coloca é que essa busca, dentro da lógica capitalista, se dá pelo viés mercadológico, ou seja, pela via do consumo. Nesse sentido, numa sociedade de mercado, tudo se torna mercadoria. Na verdade, vivemos num mundo com apelos mercadológicos constantes, onde até os prazeres são mercantilizados.
Portanto, no mundo liquido moderno, para usar a expressão do sociólogo Zygmunt Baumann, a felicidade mais do que um ideal, se torna um produto. Felicidade materializada. Dessa forma, para alcançá-la, é preciso consumir cada vez mais, de todas as formas possíveis, inclusive o próprio consumo de imagens. Veja por exemplo os shoppings Center, que representam o grande palco do fetichismo da mercadoria.
Desse modo, como descreve o historiador brasileiro Jacob Gorender, a sociedade capitalista também se apresenta como sociedade do espetáculo. Ou seja, importa mais do que tudo a imagem, a aparência, a exibição. A ostentação do consumo vale mais que o próprio consumo. A aparência se impõe a existência. Parecer é mais importante do que ser.
Além disso, a ansiedade, a impulsividade, o imediatismo e o comportamento de risco, por exemplo, passaram a ser fatos corriqueiros na vida das pessoas. Tudo se torna efêmero e transitório. Basta clicar um botão e estamos conectados ou desconectados, tudo vai depender do tamanho do nosso tédio.
 O problema é que esse estilo de vida tem levado a uma insatisfação e o adoecimento cada vez maior dos indivíduos, pois nunca se está satisfeito, é preciso sempre mais. Com isso, sentimentos como impotência, tristeza e solidão têm sido cada vez mais constantes. Não por acaso, segundo previsões da Organização Mundial da Saúde, a depressão será a doença do século XXI.
Além dos males que o atual contexto acarreta no plano individual, há também um prejuízo no plano coletivo. Primeiro porque esse progresso material é conquistado através da destruição do Meio ambiente. Para observar isso, não é preciso muito, é só olhar o nosso entorno e ver a cidade com seus prédios e carrões, com um crescimento sem medidas e desenfreado por um lado e o desmatamento e a poluição do outro. Segundo porque impera no nosso mundo o individualismo, a segregação e a competitividade em detrimento da participação política, da solidariedade e da coletividade entre as pessoas.
No entanto, gostaria de enfatizar que apesar dos pesares, nem tudo está perdido. É inegável que a sociedade avançou em muitas áreas, a tecnologia, por exemplo, contribui muito para a transformação dos meios de comunicação, permitindo uma verdadeira revolução digital e novas possibilidades de interação entre os indivíduos. O problema é que há ainda uma privatização sobre esses meios, não se enganem, são as grandes corporações que controlam, operam e monopolizam tudo o que é produzido.
Sendo assim, diante do que foi exposto, fica a pergunta: será possível superar essa realidade e resgatar o conceito original de felicidade?  Acredito que sim, no entanto, é preciso construir alternativas, de modos de viver diferente. Para tanto, é necessário urgentemente romper com esse estilo de vida consumista, com a promoção de valores humanos universais de igualdade entre as pessoas e a garantia dos direitos básicos, como saúde, alimentação, educação, moradia e lazer, entre outros, além da preservação dos recursos naturais essências para nossa sobrevivência.

Desse modo, para além de uma lei proposta pelo senado brasileiro que institui o direito a felicidade, um bom começo seria a mudança da nossa postura contra essa lógica perversa, pois como defende o cientista político Jonh Holoway “nossa força depende da capacidade de dizermos não”.  


O povo acordou?
 Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com

Começou a Copa das Confederações no Brasil. Acompanhando a cobertura da mídia em geral e analisando os fatos recentes acerca das manifestações em várias capitais brasileiras contra o aumento das passagens do transporte urbano, mas que sabemos não se resume a isso, a verdade é que vai muito além, me faz lembrar em muito a conjuntura da Ditadura Militar instituída no país em 1964 e que terminou oficialmente em 1985 por meio das diretas já e a redemocratização do país.

Tal comparação não me parece exagero, pois as circunstancias atuais são idênticas, ou seja, insatisfação política e social em meio a repressões em meio a um evento mundial do esporte mais popular do país. Nesse sentido, o Governo brasileiro é o grande protagonista mais uma vez. Mesmo vivendo num suposto Estado Democrático de Direito, os últimos fatos provam o contrario. 


Primeiro porque, mais uma vez, o Futebol é usado como instrumento de alienação do povo brasileiro. Basta lembrarmos a campanha do Governo Brasileiro na Copa de 70, com a ajuda da publicidade e propaganda do Estado, usando da paixão pelo esporte e do carisma da seleção para esconder a repressão do regime, bem como para instalar um clima de harmonia e aceitação na população, reproduzindo assim a ordem vigente. 


A única diferença é que esse evento acontece aqui e que a próxima Copa do Mundo será no Brasil, o que na realidade gera mais um agravante, já que abre a possibilidade de gasto excessivo e de desperdício do dinheiro público, principalmente para construção de estádios, muitos que serão usados somente para Copa e que depois se tornaram “elefantes brancos”, ou seja, sem nenhuma utilidade. 


Na verdade, o evento só favorece alguns poucos privilegiados, políticos e empresários, estes sim os verdadeiros beneficiados. Não é à toa, que um dos lemas das manifestações recentes, inclusive há um grupo político organizado nesse sentido que questiona “Copa para quem?”. 


Segundo porque o Governo, nesse caso, do Estado de São Paulo, tal como fez durante a Ditadura Militar, usa da policia para reprimir manifestações políticas legitimas, porque sabemos que não se trata só de R$0,20 centavos, na verdade, essas manifestações demonstram a insatisfação da maioria da população, cansada de tanto descaso, desrespeito e exploração de uma política que só serve e governa para as elites. Por sua vez, o governo usa da violência excessiva, de maneira truculenta e autoritária para manter as coisas como estão. As imagens falam por si.


Ainda depois vem o governador Geraldo Alckmin, que por sinal, nem estava no Brasil durante o auge das manifestações, dizer que a policia agiu de forma correta, já que se tratava de alguns vândalos que, apoiados por partidos radicais de esquerda, querem desestabilizar seu governo, já que se aproximam as eleições. Nesse sentido, era preciso garantir a ordem, o patrimônio, público e privado e o direito de ir e vir das pessoas.


Bom, diante desse discurso, parece piada, por exemplo, dizer em direito de ir e vir das pessoas numa cidade que tem um dos piores índices de mobilidade urbana, com um sistema de transporte urbano (ônibus, metros e trens) ruim, caro e insuficiente para atender a grande maioria da população que depende de transporte público.


Sem contar que a policia paulista é uma das mais violentas do mundo, que inclusive participou ativamente durante o período ditatorial no país, com perseguições, torturas e mortes de pessoas e grupos que eram contrários ao regime militar, apresentando um currículo de execuções de dar inveja a qualquer exercito do planeta. 


No mais, grande parte da imprensa brasileira, principalmente os grandes grupos, como o Globo, oportunista e sensacionalista como sempre, faz o jogo do gato e rato, agindo como um verdadeiro abutre, usando-se das imagens da violência da maneira que lhe convém, mas não para denunciar o abuso policial ou para discutir as pautas de reivindicações dos manifestantes, mas somente para aumentar sua audiência. E não é só. Como tem ligações escusas com os governos, já que possui concessões e recebe muitas verbas públicas, vendem a imagem dos manifestantes como baderneiros, que só querem agitar, atrapalhar o transito e destruir o patrimônio da cidade.
Além disso, promovem em sua programação um verdadeiro pão e circo, aproveitando da Copa das Confederações no Brasil para propagar um patriotismo e ufanismo idiota, tudo para anestesiar a população e tirar o foco dos grandes problemas estruturais que o país enfrenta. 


No entanto, há algo novo nessa conjuntura, que embora os governantes não queiram reconhecer, tem um poder de mobilização incrível. Falo da Internet, dos Blogs, das Redes Sociais, que possibilitam, por exemplo, a liberdade de expressão; a denuncia contra abusos e corrupção; a discussão dos problemas estruturais, tanto a nível local quanto mundial; a articulação de pessoas em várias partes do país e do mundo, enfim, um poder político que vai muito além dos velhos e ultrapassados partidos e sindicatos. Outras iniciativas pelo mundo já demonstraram a força que essas ferramentas têm, como nos movimentos da Primavera Árabe em alguns países árabes, dos Indignados na Espanha e do Ocupe Wall Street em Nova York.


Nesse sentido, abre-se a possibilidade nesse momento histórico, de uma nova forma de se propor e fazer política. Para além dos tradicionalismos de esquerda x direita, agora não temos um núcleo, um centralizador das decisões, mas somente alguém que tome a iniciativa, que se identifique com um determinado grupo e com as sua reivindicações, enfim, alguém que curte e compartilha um mundo diferente, melhor, mais justo, democrático e livre.
Portanto, parafraseando Marx, as condições (materiais, políticas, econômicas e sociais) na atual conjuntura estão dadas, basta a nós (tanto indivíduos como grupos e movimentos independentes) modificá-las. Afinal, a mudança mais do que necessária, é urgente. O povo acordou!

Faz parte do meu show

Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com


Era um garoto, e como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones. Na verdade, amava muitas outras coisas da vida. Já faz um tempo, ah, tempos, belos tempos, tempos que já não voltam mais. Antigamente eu sabia o que fazer. Hoje não sei tudo mudou. Quero me encontrar, mas não sei onde estou. O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não serve de abrigo, já não dão proteção. Eu ando tão down, confuso, um momento de embriaguez. Mas quem sabe, a vida é não sonhar. Ou talvez, somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter. Vai ver que é assim mesmo, e vai ser assim pra sempre, vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente, estou cansado de bater e ninguém me abrir. Mas Marvin, eu aprendi, agora é só você, e não vai adiantar, chorar vai me fazer sofrer. O mais engraçado é que toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor. Contradição? Queria ter liberdade, me expressar, mas me sinto preso. Preso dentro das grades que eu mesmo construí. Pensei que tinha liberdade, mas na verdade, era só ilusão. Tudo está padronizado, massificado, ou se encaixa no sistema ou se está fora. Indústria cultural! Nesses tempos sombrios, tudo se torna mercadoria, produto a ser explorado e vendido. O que vale é o lucro, ter em detrimento do ser, aparência desprovida de essência. Sociedade do Espetáculo. Vejo o BBB e imagino: ratos de laboratório. Mas a diferença é que os ratos ainda servem de algo a sociedade. De qualquer forma, de que adianta protestar, estamos todos programados, brothers e espectadores. O pop não poupa ninguém. Mas talvez estejamos todos no mesmo barco, nessa terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes. Humano demais? Porque a gente é assim? Não tem explicação. Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê. Pra ser sincero, nada mais me surpreende. Reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz. Ouro de tolo. Me enganaram e eu também vou reclamar. Alivio imediato. Tudo é efêmero e transitório. Mas como disse o poeta que está vivo, o tempo não para! Somos todos passageiros nessa infinita highway. Tudo está em movimento. Eu sei. Novos horizontes, se não for isso, o que será?

*texto inspirado a partir de letras e refrões de compositores e bandas nacionais.



A desumanização do ser humano

Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com



Esses dias vivenciei uma cena no transito, que me deixou perplexo e assustado, mas que por outro lado, me fez pensar no tipo de sociedade que vivemos na atualidade. Já era noite e estava eu, dirigindo numa das marginais da cidade, na faixa da direita, o transito estava um pouco carregado, mas fluindo bem. Caminhava na velocidade permitida da via que era de 70 km por hora, quando de repente, se aproximou um veiculo Kombi, atrás de mim, em alta velocidade, com o motorista buzinando enlouquecidamente. A faixa da esquerda, onde ele deveria me ultrapassar, também estava ocupada nesse momento. Isso durou alguns segundos, quando enfim, ele consegue me ultrapassar. Sem entender a sua “pressa” continuei, mas se não bastasse, ele ainda abre os vidros do passageiro e começa a me ofender e me ameaçar. Não vi motivos para tal comportamento, se fosse uma situação de emergência ou socorro, tudo bem, é compreensível, mas não parecia ser. Enfim, preferi ignorar a situação e continuar meu trajeto.
Relatei esse caso para mostrar o quanto nossa sociedade está competitiva e individualista.  Competitiva, porque as ruas, avenidas, marginais, se tornaram verdadeiras pistas de corrida, onde o que vale é andar em alta velocidade, ultrapassar, ganhar tempo, só não se sabe para que? Usei o transito para exemplificar, mas a competitividade está enraizada em todos os meios da sociedade, de forma cada vez mais latente e destrutiva.
Individualista, porque o que vale é chegar primeiro, vencer, não importa de que maneira. Nem que você tenha que mentir, roubar, machucar e até mesmo tirar a vida de alguém. Nesse sentido, a individualidade não é só para si, mas contra o outro também. Parece exagero, mas é a mais pura realidade. Basta ver a analisar as cenas do nosso cotidiano banalizado. Um exemplo disso é o que aconteceu na última semana na Suécia. Se não bastasse um homem cair bêbado sobre os trilhos do metro e ser assaltado por outro individuo que se aproveitou da situação, ele ainda foi atropelado. Por sorte, apesar de perder um dos pés, ele conseguiu sobreviver. Nesse caso, o que mais choca e entristece e a total falta de humanidade.
Mas também não sou ingênuo, sei que atrás de todo esse contexto existe um sistema capitalista bem organizado e articulado, divulgador de uma ideologia defensora desses valores, vendedora de ilusões, mas ao mesmo tempo, destruidora de corações e mentes. A questão é que tudo isso tem levado cada vez mais a perda de valores fundamentais de convivência coletiva, e por consequência, a desumanização do ser humano.

Na medida da estética padrão

Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com


No último domingo fiz algo que tem sido raro no meu cotidiano ultimamente: assistia televisão a noite, acompanhando o quadro “Na Medida Certa” do programa Fantástico da TV Globo, no qual o ex-jogador Ronaldo Fenômeno enfrenta vários desafios para perder peso. No último episodio, ele passou várias horas treinando e dançando com bailarinas, a fim de perder calorias.
Ora, a primeira impressão que se dá, ingenuamente falando, é que bela iniciativa da emissora, preocupada com a saúde e bem estar da população. Para tanto, nos mostra a luta diária de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro contra a balança, por meio de uma rígida dieta. Um grande exemplo de superação de alguém que já passou por tantas dificuldades e obstáculos, seja na vida, seja no futebol.
A questão é que agora, pensando numa perspectiva critica, que isso não passa de uma lavagem cerebral. Primeiro porque sabemos que o objetivo desse quadro, que está oculto, não é promover a saúde da população, mas sim, impor um modelo de beleza, afinal, a Mídia a todo o momento faz isso, dizendo que temos que ser magros para ter sucesso, para ser aceito pela sociedade. Para isso, basta vermos os padrões de beleza das telenovelas, por exemplo, promovido pela mesma TV Globo.
Segundo porque a emissora que promove esse programa é a mesma que lucra bilhões de dólares com publicidade e propaganda das mais diversas empresas, inclusive da indústria alimentícia, grande vilã e responsável pelo crescimento da obesidade na população, principalmente entre as crianças.
Se isso tudo já não bastasse, estamos no Brasil, um país em que, segundo o IBGE, aproximadamente 13 milhões de pessoas passam fome ou sofrem com desnutrição. Se pensarmos nessa situação, deveria causar espanto e indignação esse tipo de programa.
Mas infelizmente, não é essa a realidade. O quadro tem sido bem-sucedido, alcançando grandes índices de audiência. Isso mostra que deu certo a estratégia da TV Globo, ou seja, explorar a imagem de um brasileiro que tem grande carisma e apelo popular. Ao mesmo tempo, Ronaldo também se beneficia dessa parceria, pois além do aumento nos seus lucros, não pensem que ele não esteja ganhando muito dinheiro para fazer isso, reforça a sua boa imagem frente à população brasileira.
Nesse contexto, desencadeia-se, inevitavelmente, uma busca intensa pela boa forma, por meio de regimes, academias, corridas, caminhadas e tudo mais que possa representar a conquista do modelo de beleza vigente. Veja, não quero dizer que sou contra essas iniciativas, eu mesmo adoro andar de bicicleta, o paradoxo é que esses instrumentos, ao mesmo tempo em que pretendem promover a saúde da população, também servem de regulação e imposição à estética padrão.
Alias, toda essa busca hedonista e desmedida da beleza me fez lembrar a mitologia grega. Por exemplo, que não se lembra do famoso mito da Grécia antiga sobre Narciso, que se apaixona pela própria imagem refletida na água, mas que morre de inanição tentando acariciá-la pelo resto da vida. Em suma, esse mito nos mostra que a beleza é transitória e efêmera. Portanto, será que vale a pena se sujeitar a isso?
Para terminar, se quisermos realmente contribuir com a saúde da população brasileira, para além de um reality show dominical, devemos começar fazendo isso nas escolas, trabalhando com todas as faixas etárias, incentivando as crianças e jovens a praticarem esportes, a terem uma boa alimentação, enfim, por meio de uma educação alimentar transformadora, que possa superar os hábitos, costumes e padrões impostos pela Sociedade de Consumo.







Para onde vai a escola?

Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com



Ultimamente tenho me indagado sobre o sentido da escola no mundo contemporâneo. Alguns poderiam dizer que a escola é o local de ensino e aprendizagem de crianças e jovens, de informação e conhecimento, bem como formadora das futuras gerações. Ora, se for pensarmos nos dias atuais, existe outros meios que também realizam esse papel, como a Mídia e a religião, por exemplo. E aqui, não se trata de exaltar essa diversidade, o que quero dizer, é que nesse sentido, a escola vem progressivamente perdendo sua função de ser. 
No que se refere à religião, sabemos que Igreja, no caso a católica, sempre esteve presente nos processos educacionais do mundo ocidental moderno, influenciando no modelo de escola, nos currículos, principalmente no continente europeu, mas também atuando nas colônias, aja vista o processo de catequização dos índios brasileiros pelos jesuítas. Na atualidade, embora tenha perdido força, a Igreja católica ainda exerce certa influencia na educação, mas não há dúvida de que quem se destaca são as Igrejas evangélicas. No entanto, não quero entrar aqui no mérito se educam bem ou mal, mas afirmo que educa.
Porém, a grande concorrente da escola é a Mídia, principalmente por meio da televisão e a internet. No caso da televisão, é ela que dita os modos, hábitos e costumes das pessoas, o que é certo ou errado, o que é belo e o que é feio, etc. Desse modo, a televisão exerce sua influencia por meio do poder das imagens e tem nas novelas, sua grande joia. Já a internet se destaca pela infinidade de informações e conteúdos que oferece, pela sua dinâmica e rapidez, possibilitando a conexão e interação de pessoas das mais diferentes partes do mundo de forma quase instantânea.
E a escola? Ora, a escola como afirma o filósofo Mario Cortella, tem alunos do século XXI, professores do século XX e metodologias do século XIX. Ou seja, enquanto a sociedade e o mundo se transformaram, a escola continua a mesma, tradicional, conservadora e anacrônica.
Nesse sentido, nos cabe fazer a pergunta do titulo desse artigo: Para onde vai à escola? Se continuar assim, com certeza irá entrar em desuso, se tornar obsoleta, uma instituição sem nenhuma finalidade. Mas será então que é possível resgatar a escola desse fim?
Eu acredito que sim, mas para isso, no entanto, é preciso que a escola se reinvente, se renove. Em primeiro lugar ela deve ser socializadora da diversidade presente na nossa sociedade.  Além disso, é importante que ela esteja conectada com o seu entorno, possibilitando a participação da comunidade nas suas decisões, e que seja, sobretudo, ativa, criadora e transformadora. E mais. A escola deve fazer sentido para o aluno, estimular seu envolvimento, curiosidade e criatividade.
Para tanto, é preciso que a escola tenha autonomia. Como diz o educador José Pacheco, da Escola da Ponte em Portugal, autonomia não se dá, se constrói. Nesse sentido, é importante que a autonomia seja construída junto com todos os participantes da escola, mas principalmente com os alunos. Assim, essa nova escola poderá possibilitar, lembremos Paulo freire, uma autonomia enquanto prática de liberdade. Esse seria talvez, um bom caminho a seguir.














Por que amanhã, se o hoje é agora?

Fabio Augusto da Silva Lima
Contato: fabioasl@gmail.com



O entusiasmo que Chico Buarque nos trás ao cantar “amanhã vai ser outro dia...” pode ser visto e interpretado de forma diferente nos dias de hoje. Não querendo ser pessimista e muito menos desconsiderando o contexto no qual foi escrita essa belíssima canção, mas na verdade, minha intenção nessa reflexão é tratar da importância de se viver o hoje! Com isso, defendo a ideia de que devemos viver o presente, o real, o agora. Isso não quer dizer que esse viver o hoje seja voltado apenas para os prazeres ou para um *carpe diem desmedido e inconsequente, não! Na verdade, proponho um viver agora atuante, intenso e significativo, mas, sobretudo participativo, não só na esfera individual, mas também política.
O poeta Mario Quintana escreveu no poema o tempo que “a vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa”. Nesse sentido, ele nos provoca no sentido de que sempre estamos nos protegendo dentro de uma “casca dourada e inútil das horas”, protelando nossos sonhos e metas para um futuro invisível e incerto. Isso quer dizer que tudo passa, independente do que você faça para se proteger do tempo. Se levarmos em consideração o mundo atual, essa velocidade das horas é potencializada pelo avanço da tecnologia, principalmente a internet, que nos trás a sensação de que o tempo passa mais rápido, diferente de outras épocas.
No entanto, podemos fazer diferente, se ao invés de sermos meros expectadores, assumirmos uma postura de protagonista de nossas vidas. No mesmo poema, Mario Quintana lamenta o fato de que “se me fosse dado outro dia, outra oportunidade, eu nem olhava no relógio”. Ora, a experiência da vida é o que temos de mais precioso e é no hoje que ela se faz presente, então viva-a intensamente para não se arrepender depois, pois como bem disse o romano Sêneca “dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente”.